SAUDADES DE SÃO PAULO
January 5, 2009 comentários 3 ComentáriosUM DIA AINDA VOLTO…
Vendo essa foto abaixo, fiquei com saudades de São Paulo. Bateu uma nostalgia lembrando os 14 anos que lá morei, por força das circunstâncias, mas de livre e espontânea coação.
Que saudade daqueles engarrafamentos intermináveis, todos os dias para ir trabalhar. Não tinha Pink Floyd, Led Zepelin, Kiss ou mesmo Carlos Santana, que você colocasse no “toca-fitas” (naquela época era isso mesmo) para ouvir durante o trajeto, que o fizesse relaxar e chegar de bom humor no serviço.
E das festas de final de ano e do verão, então? A saudade é imensa. Uma vez fui passar o ano novo em Santos. Saímos dia 31 de dezembro, por volta das 13:00 horas em direção àquele balneário. Às 14:00 horas, estava parado na Rodovia dos Imigrantes, pelo excesso de carros. Mas a coisa fica divertida. Devido ao calor, você é obrigado a sair do carro e acaba fazendo amizade com muitas outras pessoas que como você, estão se deliciando com aquela aventura. Às 15:00 horas, você descobre que andou poucos metros naquela rodovia desde as 14:00 horas, e começa a ficar desconfiado que aquela aventura talvez não seja a melhor coisa do mundo. Mas, enfim, é final de ano e você não tem compromisso com horário. Ás 16:00 horas, ainda parado, você tem certeza que fez a maior merda da tua vida embarcando naquela furada. Mas não dá mais pra voltar, então, é só seguir o conselho de uma ex-ministra do governo Lula, que falou que em momentos de crise é só relaxar. Gozar ali é difícil. Enfim, por volta das 18:30 horas, chegamos ao tão sonhado balneário. Percorremos “todos os 70 quilômetros” do trecho São Paulo-Santos, no excelente tempo de 5 horas e meia. Mas valeu à pena…até a hora de voltar! A volta foi rápida. Apenas 4 horas e meia de viagem.
Durante todo o verão, se você quiser curtir uma prainha em São Paulo, esse sufoco se repete a cada fim de semana. Um belo domingão ensolarado, acordei bem cedo, cutuquei a mulher e falei com aquele ar de sabedoria, que os intelectuais e gênios sabem fazer muito bem, quando vão falar alguma coisa que eles descobriram, só eles sabem e ninguém mais: amor, acorda as crianças, arruma logo que nós vamos à praia. Descobri um jeito de fugir daquele engarrafamento quando se desce a serra para Santos. Ela ainda perguntou: mas você vai me falar que jeito é esse? Claro, minha querida. É muito simples. O engarrafamento ocorre porque todo mundo vai no mesmo horário e volta no mesmo horário. Nós vamos inovar. Vamos sair daqui às 07:00 horas da manhã, em aproximadamente 1 hora estaremos em Santos e quando for por volta das 13:00 ou 14:00 horas, nós voltamos, pois o trânsito vai estar livre, afinal, a maioria das pessoas gosta de ficar até o final da tarde, para aproveitar todo o dia. Ela concordou comigo e cheia de euforia, entrou no carro com as crianças. Logo no início da Rodovia dos Imigrantes descobri que eu não era o único gênio que tinha pensado daquela forma. Resultado: 3 horas e meia para chegar em Santos. Na volta, às 13:00 horas, como prometido, com um calor miserável, parado nos túneis da serra, totalmente desprevenido de outros acessórios e com duas crianças no carro, o que salvou a pátria foram aqueles moleques que ficam vendendo água mineral na beira da estrada para os espertos como eu, a um preço absurdo. Fazer o que, sede é sede. Finalmente, após quase 4 horas de estrada, cheguei em casa, com a certeza de que eu não era tão esperto assim.
A saudade é grande. Um dia eu volto. Em 2082, talvez, ano que provavelmente vai coincidir com o da minha morte.






















































